A Linguagem na História em quadrinhos
A linguagem na História em Quadrinhos. A História em Quadrinhos, como qualquer forma de Expressão artística, possui sua própria linguagem, com seus códigos e regras próprios, que devem ser respeitados pelo autor ao criar sua História em Quadrinhos, sob pena de não conquistar a cumplicidade do leitor para com o seu universo ficcional. São vários os elementos que compõem a Linguagem dos Quadrinhos, a seguir serão detalhados os principais. Estilização da Imagem. A estilização mais comum no desenho, já presente nos primeiros esboços realizados pelas crianças, e também nas Histórias em Quadrinhos publicadas em preto e branco e na maioria das histórias coloridas, é a utilização de traço bem definido para delimitar o contorno dos objetos e figuras representados. É o chamado “desenho a traço”. Durante muito tempo, também as pinturas, mesmo usando gradações de cores para uma representação mais realista, usavam linhas escuras para salientar o contorno das figuras. Este elemento da linguagem não é específico da História em Quadrinhos, mas de todo tipo de desenho, e é tão fundamental que muitas vezes não é percebido. Representação do Movimento. A História em Quadrinhos tenta representar um movimento através de imagens estáticas. Mesmo quando se usa uma única imagem pictória, se esta imagem procura representar uma ação se desenvolvendo no tempo, isto é uma História em Quadrinhos. Há vários recursos usados na tentativa de representar o movimento através de uma imagem estática, como a deformação de folhas e galhos de uma árvore sob ação do vento, a inclinação de um corpo para indicar que está correndo, a alteração das dobras das roupas no sentido do deslocamento, etc. Na pesquisa feita no trabalho temos a presença do movimento na quantidade de pernas da Mônica no penúltimo quadrado da pagina 47, e na dobra da cesta de basquete, encontrado no primeiro quadrado da pagina 48. Nas Histórias em Quadrinhos, caricaturas e semicaricaturas, principalmente, um recurso muito usado é o das “linhas de ação”. Uma linha de ação é um traço representado fisicamente no desenho indicando a trajetória de um objeto. O leitor, conhecedor deste código, sabe que a linha não tem existência física na paisagem, apenas representa o movimento. As histórias em Quadrinhos mais realistas usam este recurso ocasionalmente, apenas quando não há outra alternativa. Uma variação deste recurso é a representação de um mesmo objeto várias vezes em posições diferentes num mesmo quadro, normalmente ligados por linhas em ação, quando se quer representar este objeto em alta velocidade. A origem deste recurso é simples: na realidade, um objeto com rápido movimento repetitivo parece á vista humana como se fossem vários objetos. Encadeamento de Imagens. Embora uma única imagem posa representar um movimento, não é possível representar uma ação mais complexa numa única imagem, necessitando para isso de uma seqüência de imagens dando ao leitor a ilusão do movimento. Na História em Quadrinhos, o autor decompõe uma cena em um determinado número de imagens estáticas colocadas em seqüência, mas não há um recurso tecnológico que produza a ilusão de movimento. No entanto, o leitor, sabendo desta limitação, aceita-a e tenta reconstruir mentalmente o movimento sugerido pelas imagens disponíveis. A codificação usada para este encadeamento de imagens é a apresentação das imagens inequivocamente separadas, normalmente dentro de quadros. Representação dos Sons. Embora a História em Quadrinhos seja uma forma de expressão predominantemente visual, ao tentar representar uma realidade, tenta também representar a dimensão sonora desta realidade. Neste particular, incorporou a linguagem escrita, que é a própria representação codificada de uma parcela importante do universo sonoro, o falar humano. Embora a escrita tenha sido desenvolvida com propósito específico – representar a fala humana – também é utilizada, com muitas restrições, para representar outros sons da natureza, com ruídos, vozes de animais, etc., recurso este chamado onomatopéia. Na História em Quadrinhos, no começo de seu desenvolvimento no final do século XIX, predominou a fórmula de colocar os textos escritos acima ou abaixo das imagens, deixando-os bem distintos. Nestes casos, os diálogos estavam sempre na forma de discurso indireto, colocado no meio da fala do narrador. Logo tornou-se comum colocar dentro dos desenhos os textos dos diálogos, delimitados por linhas fechadas – os balões – e apontado para as bocas dos personagens. Também as onomatopéias passaram a ser colocadas dentro dos desenhos, próximas às fontes sonoras, e a adquirir formas gráficas coerentes com os sons representados. Os comentários do narrador passaram a ocupar espaços entre dois quadros consecutivos, ou dentro dos próprios quadros, inseridos dentro de um retângulo – as legendas. Todas estas convenções são aceitas pelo leitor que não atribui existência física a estes elementos estranhos – balões, onomatopéias e legendas – junto às imagens. Paralelismo Semântico. O titulo aqui estudado, “dando bola para o Luca” , pode ter dois significados: um que pode ser o sentido real de passar a bola para o Luca, e outro sentido subjetivo de paquerar o Luca, no primeiro caso “dando bola” está empregado no modo denotativo, enquanto que o segundo caso depende do contexto para ser identificado, e está no modo conotativo. O conceito de denotação é quando uma palavra por si só, expressa um significado, com seu valor objetivo, real, comum, e o conceito de conotação expressa um sentido figurado, subjetivo, que depende de uma interpretação do contexto. Outro caso percebido na análise foi o uso da palavra “cesta” (pg 47), para este fenômeno dá-se o nome de polissemia, pois é uma palavra com dois significados diferentes. Uma palavra substantiva, usada pelo personagem Luca para referir-se à cesta de basquete, e que foi entendido pela personagem Mônica como cesta para guardar coisas, causando assim um outro efeito. Metalinguagem na Historia em Quadrinhos. A metalinguagem, no sentido mais amplo, é a linguagem utilizada para descrever outra linguagem. Neste texto, o termo é usado num sentido mais restrito, como o recurso, utilizado por um autor, de expor os códigos e regras de linguagem utilizada na realização de sua obra, através da alteração de suas convenções. Na Historia em Quadrinhos, muitos autores usam recursos metalingüísticos em seus trabalhos. Alguns desses recursos são descritos a seguir. Alteração no Sentido de Leitura. Na Historia em Quadrinhos ocidental o sentido de leitura dos quadros em uma pagina é como o dos textos escritos, da esquerda para a direita e de cima para baixo. A leitura começa no quadro do canto superior esquerdo, prossegue até o canto superior direito, aí é feito um salto para o quadro imediatamente abaixo á esquerda, e o processo é repetido até o ultimo quadro da pagina no canto inferior direito. Aí a leitura prossegue no verso da folha ou na próxima pagina à direita. Esta convenção de sentido de leitura é conhecida pelo leitor, que a segue automaticamente, sem se preocupar com qual seria o próximo quadro a ser lido. Alguns autores, no entanto, por vários motivos, alteram o sentido de leitura, e para isso precisam dar algum tipo de indicação ao leitor para que ele possa fazer a leitura no sentido correto. Esta mudança no sentido de leitura leva o leitor a ficar consciente de um elemento de linguagem que normalmente passa despercebido. Extrapolação do Enquadramento. Como a Historia em Quadrinhos procura decompor um movimento numa seqüência de imagens distintas, é preciso deixar cada uma dessas imagens bem definidas para que o leitor possa distingui-las claramente. A convenção mais comum é colocar cada imagem delimitada por um retângulo feito a traço – o quadro. Este quadro não tem existência física, é apenas uma convenção para delimitar cada imagem. É comum os autores desenharem personagens saindo fora dos quadros, isto dá destaque ao personagem, mas expõem o quadro como um elemento da linguagem. Como este recurso é muito usado, nem sempre é percebido pelo leitor. Bibliografia. www.intercom.org.br www.uol.com.br/educacao turma da Mônica n 2/fevereiro/2007 – Ed. Mauricio de Souza
Escrito por sammy às 19h47
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